terça-feira, 2 de agosto de 2016

Atacarejos crescem na economia fraca brasileira

                    
Disputando diretamente com redes convencionais, "sacolões" e as próprias Ceasas, essa rede atacadista e varejista começa a cair no gosto do consumidor com ações de impacto. Veja essa matéria publicada pela CeasaMinas.

Em meio ao ambiente de retração geral da economia, alguns setores têm demonstrado como é possível garantir e até aumentar o faturamento. É o caso dos chamados atacarejos, estabelecimentos que comercializam no atacado e varejo, e nos quais o próprio cliente vai até a loja e escolhe diretamente suas mercadorias (autosserviço). Preços em geral menores que os do varejo tradicional são o principal atrativo para os consumidores, o que explica o crescimento nominal de 12% desse setor, entre 2014 e 2015, segundo a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

Segundo relatório da Abad, no período analisado, foram abertas quase 50 novas lojas. Apesar do crescimento expressivo, o número de atacados de autosserviço (em torno de 500) é reduzido em relação ao setor atacadista como um todo, estimado em mais de 5 mil empresas, das quais 3 mil são ligadas à associação.
A entidade ainda destaca que, no atacarejo, o consumidor final adota um perfil mais racional, escolhendo marcas de produtos mais baratos, além de substituir ou mesmo cortar itens, dando preferência às mercadorias mais básicas.

"Nos últimos anos, nosso aumento no faturamento anual tem girado na faixa de 15% a 20%. Este ano de 2016, estamos com aproximadamente 11%", revela Rodolfo Nejm, diretor comercial e de operação do Grupo Super Nosso, ao se referir à rede de atacarejo Apoio Mineiro.
Inaugurada em 2002, a loja instalada na CeasaMinas, em Contagem, responde por 20% do total de vendas da rede, formada ainda por outras 12 unidades, sendo todas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ao ser questionado se a queda na renda do consumidor explicaria o bom momento dos atacarejos, Nejm explica que o crescimento da rede já vinha sendo verificado antes da piora da economia. ?Acredito que o atual cenário econômico do país permitiu que um novo público descobrisse esse segmento. Pessoas que antes não faziam suas compras em atacarejo agora estão achando vantajoso fazer, o que é muito positivo", explica.

O diretor prevê a abertura de duas a três lojas por ano, mantendo a média de crescimento no faturamento em torno dos 15%. ?O consumidor percebeu que comprar certos produtos em quantidades maiores, além de prático, poderia gerar uma economia significativa. Enquanto isso, o comerciante, que sempre buscou esse tipo de estabelecimento devido à competitividade dos preços, não deixou de fazer suas compras lá", justifica.

Frutas e hortaliças

Segundo matéria divulgada em abril deste ano pela revista Hortifruti Brasil, a substituição parcial do varejo tradicional pelo atacarejo também pode trazer impactos no setor de frutas e legumes. Em geral, os atacarejos são conhecidos por comercializarem um leque menor desses alimentos, e por priorizar os mais baratos. Ainda assim, analistas da revista já observam uma tendência de os atacarejos oferecerem maior variedade aos clientes.

"O foco nos preços é uma marca do atacarejo. A proposta não é investir em variedade, mas sim em produtos mais básicos, com preços mais atrativos. Na rede Apoio Mineiro, os hortifrútis possuem um lugar de destaque, pois são muito procurados. Estamos sempre buscando expandir esse segmento, melhorando os serviços e ampliando, na medida do possível, o leque de produtos. Temos investido com muito afinco também na linha de perfumaria e limpeza, em nossa padaria e no segmento de carnes e frios", explica Nejm.

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