Unidade de Pesquisa faz controle biológico de lavouras em duas microbacias de Petrópolis, município da Região Serrana fluminense.Trabalho visa identificar doenças do solo, reduzir uso de agrotóxicos nas plantações e dar maior qualidade aos produtos
A implantação de uma Unidade de Pesquisa Participativa (UPP) em Petrópolis, Região Serrana do Rio, está garantindo hortaliças de maior qualidade a agricultores e consumidores. Desde março de 2015, o controle biológico contra doenças fúngicas (provocadas por fungos) vem apresentando bons resultados nas microbacias do Caxambu e Bonfim.
O técnico da Emater-Rio André Azevedo, executor do Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura, nas duas microbacias, informou que o trabalho é desenvolvido em parceria com a Pesagro-Rio, o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio (Iterj), a Associação dos Produtores Hortigranjeiros e Floricultores do Caxambu e agricultores do Bonfim, no planejamento, execução e na avaliação dos resultados.
- O projeto das UPPs baseia-se na experiência participativa entre instituições de pesquisa e extensão rural junto aos produtores, para experimentação e adaptação de tecnologia, uso de defensivos alternativos e disseminação de resultados de práticas em controle biológico de lavouras de hortaliças. Em breve, esperamos desdobrar este trabalho para as demais microbacias de Petrópolis - explicou.
O trabalho de controle biológico consiste em duas ações paralelas: a aplicação do fungo Trichoderma* por meio da pulverização – ou “vacinação”, de acordo com a explicação do técnico – de mudas de hortaliças folhosas; e a utilização deste mesmo agente de biocontrole no solo e em canteiros. O objetivo é o controle do mofo cinzento (Botrytis cinerea), do mofo branco (Sclerotina sclerotiorum e S. minor), do Fusarium (Fusarium oxysporum f. sp. Lactucae) e da Rhizoctonia;
- Utilizamos o Trichobio produzido pela Agribio Defensivos Alternativos, uma empresa incubada na UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) com apoio da Pesagro-Rio. Identificamos as principais doenças e seus agentes e iniciamos a vacinação junto com os agricultores, que nos auxiliam no monitoramento dos resultados - completou Azevedo.
Agricultores apoiam pesquisas e elogiam resultados
Para o agricultor José Arthur Martins Diniz, que comercializa mudas no Caxambu há 13 anos, o trabalho da UPP na microbacia está gerando resultados positivos.
- No inverno, eu perdia muitas mudas. Na horta, com o mofo branco, e na estufa, com o mofo cinza. Com a pulverização e o acompanhamento dos técnicos, não temos mais este problema aqui. As mudas estão com raízes mais fortes e os produtos acabam ficando mais bonitos e maiores - comentou Diniz.
O trabalho realizado com o produtor José Arthur acaba afetando positivamente toda a microbacia, já que suas mudas são compradas por grande parte dos agricultores da cidade.
- O objetivo das pesquisas é adaptar essa tecnologia à realidade de cada produtor e, assim, controlar os fungos em cada microbacia. Desta forma, conseguiremos difundir métodos biológicos alternativos ao controle fitossanitário químico e sintético utilizado rotineiramente nas lavouras - ressaltou o técnico André Azevedo.
Na mesma microbacia do Caxambu, o agricultor Flávio Loureiro vem enfrentando grandes perdas em sua produção. O problema identificado pela pesquisa em seu sítio não tem relação com os mofos controlados com as primeiras pulverizações.
- Os sintomas de doença que podemos observar aqui no Sítio Loureiro é a Fusariose ou Murcha de Fusário. Em função do surgimento dessa doença, vamos intensificar o uso do Trichoderma, a fim de controlá-lo, assim como conseguimos controlar manifestação dos mofos cinza e branco - explicou o técnico da Emater-Rio.
A mesma técnica utilizada na microbacia do Caxambu foi implantada na localidade do Bonfim, com mais seis produtores rurais. Para o consultor de Agroecologia do Rio Rural, Eiser Felippe, a atuação das UPPs, acompanhada pelos agricultores, legitima os resultados em campo e possibilita que a comunidade também participe do processo, popularizando a prática.
- No caso específico desta UPP em Petrópolis, o trabalho que está sendo desenvolvido se reveste de uma importância muito grande, pois o problema de contaminação dos solos é grave em toda a Região Serrana, devido ao desequilíbrio proporcionado pelas pesadas adubações químicas e agrotóxicos aplicados. Este desequilíbrio só pode ser resolvido com o reequilíbrio do solo proporcionado pelo manejo agroecológico - concluiu Eiser.
Trichoderma
O Trichoderma é um fungo habitante natural do solo, que tem a capacidade de se alimentar ou produzir substâncias que inibem o crescimento de diversos patógenos (microorganismos que causam doenças no solo), como Fusarium, Rhizoctonia e Sclerotinia - este último, a causa do mofo branco.
Os efeitos benéficos do Trichoderma na agricultura para a redução de doenças já são conhecidos há décadas. No entanto, sendo um organismo vivo, ele precisa de cuidados especiais e monitoramento das lavouras.
Pontos favoráveis do uso do Trichorderma:
- Tem papel fundamental na nutrição e vigor da planta, gerando nutrientes;
- Capacidade de colonizar bem o sistema radicular e proteger as plantas contra vários patógenos (proteção de doenças);
- Como combate pragas e doenças, contribui para a redução do uso de agrotóxicos e, por consequência, dos danos causados por eles à saúde humana e ambiental;
- Por ser um controle natural, o Trichoderma não deixa resíduos nos alimentos (sem resíduos);
- Pode ser utilizado no tratamento de sementes, evitando que doenças atinjam as plantas nesse estágio.
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