terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESPECIAL Supermercados seguram preços jogando no mercado financeiro


por Jorge Lopes

As redes compram os produtos com prazo de 60 dias para pagar, pegam o dinheiro e aplicam nesse período. Tendo um lucro considerável. Claro que não é só isso: tem as pressões feitas contra fabricantes de produtos alimentícios, comerciantes nas centrais de abastecimento  e produtores rurais. Como compram muito,  os representantes das redes é que ditam os preços na maioria das vezes. Quem ganha também com isso, em alguns produtos da cesta básica, é o consumidor, como constatamos na pesquisa feita em três redes supermercadistas do Rio de Janeiro.


A cesta básica na Região Sudeste do país teve uma alta de 1,9%, chegando ao valor de R$ 360, enquanto que as vendas nos supermercados caíram 4,86% no mês de setembro, como aponta a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Entre os itens que mais tiveram aumento nas vendas ao consumidor, a liderança ficou com a cebola (8,78%), partes das carnes do traseiro do boi (3,33%) e o frango congelado (3,15%). No mesmo mês, o tomate chegou a ser acusado de algoz na alta verificada nas centrais de abastecimento do país, no entanto,  foi registrado um decréscimo de - 5,19% nos preços, no varejo.  O que acontece?

O Portal CeasaCompras.com.br resolveu analisar os folhetos promocionais de três grandes redes supermercadistas, sendo duas populares, que são o Guanabara e o Mundial, que disputaram o mês de outubro passado a preferência do consumidor com suas promoções de aniversário. Agora, eles entram nas promoções de Natal. Tudo uma ferramenta efetiva na disputa de um mercado cada vez mais consumista. Aniversário e Natal são apenas chamariz para as vendas. Outra rede consultada foi a do Extra.

Mas, o que vimos em relação aos preços de alguns produtos, que fazem parte da cesta básica, foi um controle maior por parte dessas redes de supermercados no que se refere aos preços. A aparência que dá é que eles lutaram para mantê-los em baixa a maior parte do tempo possível, com oscilações de alta em um ou dois dias, para depois voltar a baixar nas gôndolas. Qual o milagre? Os supermercados estão conseguindo segurar a inflação nos preços desses produtos, apesar dos problemas com safra devido às intempéries do clima. As expectativa, ainda em setembro, era a de que os preços da carne de boi iriam disparar até dezembro.  Parece que não aconteceu no supermercado. Você, no entanto, quando vai ao açougue do bairro, realmente sente a alta dos preços. Ao contrário dos grandes varejistas que fazem de tudo: tem supermercado, como o Extra, que oferece descontos se o consumidor utilizar o cartão da rede. Cuidado no momento de olhar os preços: existem dois - um para comprar com cartão e outro, sem cartão. Aí, você entra na "pegadinha" e sofre na hora de pagar as compras. Se é certo ou errado, não vamos entrar no mérito da questão.

É fato uma coisa: ir ao supermercado está cada vez mais caro. Basta acompanhar as conversas entre consumidores, muitos afirmando que gastavam R$ 300 há um ano e hoje não conseguem comprar as mesmas coisas pelo mesmo preço: as compras chegam a custar agora pouco mais de R$ 500. Nessa relação de alta, constamos, não consta alguns produtos básicos de nossa alimentação, pelo menos nos preços praticados durante os últimos dois meses e meio, conforme nossa pesquisa. A chamada "carne de segunda" teve o preço variando entre R$ 8 e R$ 11, de acordo com a promoção do dia; e a de primeira, entre R$ 14 e R$ 17, em média.

E um detalhe importante: pelo menos até o final desse mês a alta nos preços dos combustíveis, como o óleo diesel usado no transporte dos produtos, ainda não está refletida nos preços dos supermercados. Mas, com certeza, a partir do dia 30 a situação dos preços será outra.

Giro dos preços e giro financeiro

Todo mercadinho de bairro aplica as mesmas táticas utilizadas pelas grandes redes supermercadistas: o rodízio de preços. Mas perdem para os gigantes quando o assunto é mercado financeiro. Ninguém fala isso abertamente, mas os supermercados agem de forma hostil em relação aos fabricantes e aos produtores rurais quando a questão é comprar. Em relação às fábricas, essas negociações se dão nos pregões realizados todas as terças-feiras e quintas-feiras, pela manhã, na Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro (BGA) - única na América Latina.  Os supermercados compram muito, o que interessa aos fabricantes, seja de laticínios; carnes e derivados, peixes, massas, leite e derivados. Então, não é bom discutir. Vamos ganhar na quantidade, e não no melhor preço.

As compras se fazem com o pagamento previsto para 60 dias. Durante esse período, o financeiro dos supermercados pegam o dinheiro e aplicam nos bancos, obtendo rendimentos que darão para pagar as compras e obter lucros extraordinários. Apesdar do que falam ou apresentam. Essa operação é fechada. Ninguém se atreve a abrir a boca sobre o assunto. O prazo de pagamento, longo, se tornou um grande aliado na receita do mês para essas grandes redes, que empregam milhares de pessoas em todo o País. São os maiores emrpegadores, junto com o setor de serviços, mas os que mais exploram funcionários.

Na relação com os comerciantes das centrais de abastecimento, ou diretamente com os produtores rurais, o jogo é mais duro ainda: são os compradores que ditam o preço a pagar, e não o contrário. Vencem no grito, ou então, comerciante e produtor rural deixam de ter aquela receita todos os meses e amargam um prejuízo certo. Também, este é outro tabu, pois ninguém se atreve a falar abertamente o que acontece.  Vamos dar um pequeno exemplo: o tomate salada. As redes só compram os mais bonitos, grandões, que não tem tanto nutriente, mas que agradam ao consumidor, deixando de lado os pequenos que são jogados fora. No máximo, comprado pelos "sacolões" ou para serem vendidos nas feiras livres. Existem empresas especilizadas no selecionamento desses produtos, pelo tamanho. Chegando ao ponto de toneladas de produtos serem jogadas fora, todos os dias, quando podiam ser vendidas a preços bem baixos.

Nossa cesta

O nosso portal fez uma lista, composta pelo arroz, feijão, café, leite em pó e de caixa, farinha de mandioca, óleo, macarrão, açúcar e carnes (frango e de boi). O preço do pacote de cinco quilos de arroz, no supermercados Guanabara, se manteve desdes o dia 18 de outubro, em torno de R$ 7,95 e R$ 11,95, dependendo da marca. O feijão preto (1kg), que estava com um preço meio elevado (R$ 3,77), baixou para R$ 2,97 - marca mais barata. O leite em pó se manteve também, entre R$ 5,99 e R$ 6,98, o mais caro. Agora, o açúcar, esse sim teve aumento de quase 100% em seu preço: passou de R$ 0,97 para R$ 1,59 ( A FAO chegou a alertar esta semana sobre o prejuízo da seca no mercado internacional do açúcar).  Nós registramos também essa alta de preço nas centrais de abastecimento.

No Supermercados Mundial, o arroz manteve-se no patamar de preços entre R$ 8 e R$ 11, o mais caro. No caso do feijão, os preços, no mesmo período pesquisado, oscilaram entre R$ 2,78 e R$ 3,38, dependendo da marca. O leite em pó ficou entre R$ 7 e R$ 8, a lata.

No Extra, o arroz permaneceu nos preços variados entre R$ 7,80 e R$ 13,95; o feijão, mais caro, a R$ 4,80. No caso das carnes, o acém estava custando em torno de R$ 10, e o chã e paleta, a R$ 14.

Outro detalhe interessante é o do camarão criado em cativeiro: no Mundial o preço varia, dependendo do dia, entre R$ 16, 50 e R$ 19. O que vale muito a pena, já que podemos fazer tipos de refeições variadas e quem rendem bastante: risoto, empadão, salada.

Fica a dica, portanto. Antes de entrar no supermercado faça uma lista de alimentos básicos, compare e depois compre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seja muito bem vindo(a).
Fique a vontade, aproveite a experiencia com nosso Blog, envie para seus amigos e deixe seu relato.
Gratidão!