Vale do Rio Doce: padecimento com a poluição
Por Jorge Luiz Lopes
Edição André Ferreira e Helen Simões Lopes
Nesse
estudo elaborado pela pesquisadora Gisele Inácia da Silva, de Minas
Gerais, mostra muito bem o que vai acontecer de pior com o rio Doce que
está sofrendo com o desastre ambiental sem precedentes, e que atinge
dois estados diretamente e outro, o Rio de Janeiro, indiretamente.
Estamos publicando o estudo na íntegra, como parte do especial que faz
parte também do Blog CeasaCompras.com.
Organização Espacial do Vale Rio Doce:
A
região do Vale do Rio Doce se organizou após a construção da estrada de
Ferro Vitória-Minas, quando as matas foram devastadas para fornecimento
de carvão para a ferrovia, para as siderúrgicas que se instalaram no
Alto Rio Doce e as atividades madeireiras. Aos poucos foram
estabelecidas áreas de pastagens e também as culturas de café que por
sua vez foram substituídas por pastagens plantadas e algumas
agriculturas de subsistência. Na área de Peçanha, Santa Maria do Suaçuí e
municípios próximos a ocupação foi mais antiga, correspondendo a um
ciclo de mineração que deu origem aos primeiros centros urbanos, sendo
que ainda há extração de mica e pedras coradas semi-preciosas.
A Bacia do Rio Doce:
O
rio Doce nasce numa altitude superior a 1.000m, nas serras do Complexo
do Espinhaço e da Mantiqueira no estado de Minas Gerais e percorre 853
Km, correndo entre os vales dos rios Piracicaba e Piranga, perfazendo
uma grande curva para leste na altura de Governador Valadares em direção
ao litoral Atlântico do estado do Espírito Santo, onde deságua. Sua
área de drenagem abrange 83.400 km2, dos quais 86% pertencem a Minas
Gerais e 14%, ao Espírito Santo.
Sua população é de 2,8 milhões
de habitantes, sendo que, somente 12 cidades têm uma população acima de
30.000 hab, 163 municípios estão localizados na área da bacia (153 em
Minas e 10 no Espírito Santo), com 70% de suas cidades tendo uma
população inferior a 5.000 habitantes.
O regime do rio Doce é
considerado como sub-equatorial, com vazões máximas em janeiro e
fevereiro e mínimas em setembro (fim da estação invernal).
A
bacia não é atualmente muito explorada em termos de potencial
hidrelétrico. Foi feito um estudo pela ELETROBRÁS que detalha a possível
formação de cerca de aproximadamente 70 reservatórios destinados a
produção de energia elétrica. A produção total de todos os
aproveitamentos contemplados seria próxima a 3.700 MW.
Na bacia a
água é captada para satisfazer três usos principais: irrigação,
abastecimento industrial e abastecimento doméstico. A degradação atual
da qualidade das águas da Bacia do Rio Doce é resultante de impactos
poluidores: fontes de poluição pontuais (industriais e centros urbanos) e
fontes de poluição difusas (propriedades rurais, uso de pesticidas e
herbicidas, atividades de garimpo, uso inadequado das terras - erosão).
Com
a rápida devastação da floresta natural aumentada nos anos 40, as
cargas de sólido em suspensão aumentaram acentuadamente, especialmente
durante as fortes chuvas de verão, como demonstram os dados históricos. A
tabela a seguir nos mostra o uso da terra por área total da bacia:
Em 1980 as florestas naturais ocupavam menos de 7,2% da área total da Bacia.
As Atividades Econômicas:
As
atividades econômicas da Região do Vale Rio Doce concentram uma
população economicamente ativa, principalmente no setor primário. A
agricultura é extensiva e caracterizada por métodos tradicionais de
baixa tecnologia, com baixa produtividade, dando destaque ao café, a
criação de gado e as culturas de subsistência. Economicamente, a criação
de gado é a atividade mais representativa e distribuída em toda a
bacia. A tendência indica a substituição das lavouras de café por
pastagens ou reflorestamento com pinus ou eucalipto. Nota-se a
diminuição da população rural com êxodo para as cidades.
As
atividades industriais são fortemente ligadas à mineração e atividades
correlatadas, são de primordial importância na bacia. Esta inclui boa
parte do Quadrilátero Ferrífero, que é responsável por cerca de 61% da
produção brasileira de minério de ferro, e onde se localizada 31% da
produção de aço. Atividades de menor importância incluem indústrias
produzindo açúcar e álcool, papel e celulose e outras mecânicas,
químicas e metalúrgicas.
Os principais pólos das áreas de
mineração estão localizados na parte ocidental da bacia: Itabira, Marina
e Antônio Dias. A produção já supera 70 milhões de toneladas,
principalmente pela Cia. Vale do Rio Doce (CVRD), o que mostra sua
importância em termos importância em termos do desenvolvimento econômico
da bacia. A produção é transportada por uma ferrovia ao longo do curso
do Rio Doce que chega a Vitória (ES).
A siderurgia é composta por
quatro empresas que operam na sub-bacia do rio Piracicaba: a USIMINAS
(Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais), a ACESITA (Aços Especiais
Itabira), a COSIGUA (Cia. Siderúrgica da Guanabara) e a Cia Siderúrgica
Belgo-Mineira.
Vegetação
No meio de muitas áreas onde
a antiga Floresta Atlântica cobria solos lateríticos pobres, que foram
transformados em pastagens e hoje são áreas de verdadeiros desastres
ecológicos, a mais emblemática destas regiões é o Vale do Rio Doce.
Considerada economicamente próspera, por ter atraído grandes
siderúrgicas alimentadas pelo minério de ferro do Quadrilátero
Ferrífero, a região que há cinqüenta anos era coberta por uma das mais
belas florestas tropicais da terra, apresenta hoje uma paisagem quase de
deserto. Na realidade é pior do que um deserto, pois não tem vegetação
típica do deserto e está sujeita às fortes chuvas que abrem voçorocas e
acabam com o solo.
A maior parte da área transformada em
pastagem para pecuária extensiva está em franca decadência. Um
riquíssimo patrimônio de biodiversidade foi sacrificado para se obter
uma produção cada vez menor de carne e leite. O que ainda ameniza um
pouco a situação são as plantações de eucalipto para celulose e carvão
vegetal, que criam utilidade econômica para algumas parcelas do solo.
Sob
a ótica de uma economia ecológica, transformar uma rica floresta
tropical em uma pastagem de baixa produtividade e curta duração é a mais
irracional e predatória das atividades humanas.
Aspecto geológico:
Apresenta
no aspecto geológico embasamento cristalino do pré-cambriano, com
topografia acidentada, apresentando altitudes que variam de 200 a 1.000 m
e superfície de 62.076km2. O subsolo da região apresenta amianto,
argila, mica, pedra coradas (semi-preciosas), quartzo e outras.
No
campo mineral, toda região fornece um panorama positivo, desde grandes
explotações de minério de ferro bem como produção de pedras preciosas,
ouro e diamante.
Estrutura fundiária:
A estrutura
fundiária concentra uma média de 80% das terras nas mãos de apenas 16%
da população, em estabelecimentos de mais de 100 ha, cujas terras são
constituídas em sua maior parte por pastagens extensivas, predatórias e
antiprodutivas.
Mas isto pouco contribui para o desenvolvimento
integrado agricultura-indústria, que existe em estágio mais avançado em
outras regiões mineiras, como, por exemplo, o sul de Minas e o Triângulo
Mineiro.
Com relação à população do Rio Doce o que se observa é
um a falta de absorção e fixação dos habitantes na região. Esse
fenômeno, aliás, é comum não só em nosso Estado, como em nosso país e
mesmo na América Latina: esvaziamento da região rural e aumento das
regiões urbanas. Esta população está em acentuada queda numérica, a área
rural apresenta aproximadamente 42% da população e a urbana 58%.
Hidrografia:
As
bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce de caráter
exorreico, constituem as redes de drenagem mais importantes, com número
elevado de caudais volumosos serpeando por regiões, outrora abundantes
em cobertura de florestas tropicais. A precipitação média é de 1.250mm e
de abril a setembro o tempo é seco. A temperatura fica entre 15o C a
30o C.
A qualidade de água dos rios e córregos da região do Rio
Doce em termos gerais apresenta problemas que estão associados a
processos erosivos das margens dos rios, das áreas mineradoras e dos
solos desprotegidos, acentuados durante a estação chuvosa; processos de
revolvimento (após chuvas) de partículas decantadas, contendo
possivelmente metais pesados resultantes da mineração do processamento
mineral, da siderurgia e das atividades de garimpo; mecanismos clássicos
de poluição, envolvendo diluição, transporte e autodepuração. Algumas
observações de pescadores e de habitantes ribeirinhos testemunharam
recentes modificações na qualidade de água do rio durante
aproximadamente os últimos 20 anos, observaram diminuição da
transparência das águas do rio Doce, aumento e turbidez durante o
período da estiagem, poluição orgânica estimada pela freqüência de
odores desagradáveis, desenvolvimento de espécies menos nobres de peixes
que são mais tolerantes à poluição, sugerindo assim uma queda
significativa na qualidade biológica do Rio.
A freqüência das
últimas enchentes sugere que a sedimentação no rio doce modificou o
regime das águas, uma clara demonstração do impacto causado pela falta
de um uso adequado das terras marginais aos rios.
A presença ou
ausência de peixes é um aspecto importante da qualidade de águas na
bacia. Em outras épocas, o rio Doce foi bem mais piscoso. O nome de um
dos rios da bacia ("rio do Peixe") sugere abundância de pescado ou
predominância de uma determinada espécie em suas águas. Alguns afluentes
são considerados com naturalmente pobres em piscosidade.
Uso da água da Bacia do Rio Doce:
Os seguintes usos podem ser definidos na bacia:
-
Abastecimento de água e sistema de esgoto, que são gerenciados por
empresas estuais ou serviços municipais. Todos os centros urbanos que
cercam a região dispõem de abastecimento de água potável.
-
Demanda industrial de água: principalmente devida à mineração e à
siderurgia. As principais empresas operam suas próprias captações de
água e estações de tratamento.
- Uso agrícola: a irrigação só é
feita em pequena escala, em locais dispersos, com uma maior importância
nos municípios de Caratinga, Conselheiro Pena, Aimorés e Colatina.
-
Produção de eletricidade: a capacidade de produção instalada é de 326
MW, gerados por 12 unidades. Estas, em sua maioria, são propriedade de
empresas de mineração. A maior usina da bacia está localizada próximo à
fronteira MG-ES (Mascarenhas).
- Navegação: o Rio Doce costumava
ser navegável entre Regência e Mascarenhas (143 Km), o que a alta
sedimentação e outras obstruções tornaram atualmente impossível. Em 1983
houve o projeto de uma aquavia, mas não foi implementado.
-
Pesca e piscicultura: a drástica redução de ictiofauna na bacia, devido
às atividades humanas, tornam essas atividades de prática mais difícil.
Foram feitos estudos quanto à piscicultura em conexão com reservatórios
de hidrelétricas. A prática da pesca ainda é comum na bacia, menos na
poluída bacia do Rio Piracicaba.
- Controle de cheias: é um
problema em muitas áreas da bacia, com altos danos para as propriedades e
os próprios indivíduos, como ocorreu diversas vezes em 1979/80. Houve
um estudo para controle de cheias que propunha construir algumas
barragens. A existência da ferrovia Vitória-Minas, ao longo do Rio Doce
até o Piracicaba, impede a construção de barragens no curso principal.
-
Meio ambiente: a floresta tropical e os rios pagaram um tributo muito
alto ao desenvolvimento econômico da região. A maioria das florestas
nativas do estado de Minas Gerais foram derrubadas (mais de 90%).
Desastre é muito maior do que todos imaginam
Presidente Dilma diz que Ibama vai multar Samarco em R$ 250 milhões.
Por Jorge Luiz Lopes/Agências
Edição Portal CeasaCompras.com: André Ferreira
Edição Blog CeasaCompras.com: Helen Simões Lopes
Vendo
a expressão de Dilma Rousseff nas fotos ao sobrevoar a região afetada
pelo rompimento das barragens da Samarco em Minas Gerais, pode-se muito
bem avaliar a tragédia que foi e será por um longo tempo. Num momento
em que tanto Minas como o Espírito Santo tentam se recuperar das secas
que atingiram em cheio a produção rural de hortifrutigranjeiros,
pecuária de lei e e corte, suinocultura e outros, as propriedades
rurais, em grande parte de culturas familiares, vêem-se em um abismo, já
que o rio Doce, que corta os dois estados e passa pela divisa com a
Bahia, recebeu a lama tóxica do minério de ferro matando tudo que ainda
restava de vida e dificultando a capacitação de água, para abastecimento
e para o campo. Esse caminho leva ao oceano Atlântico, onde desemboca
na cidade de Linhares (ES).
Qual o tamanho dessa tragédia? O
CeasaCompras.com responde: 853 km, que é a extensão do rio Doce, afetado
drasticamente pela poluição e o descalabro provocados pela ignorância
técnica da empresa responsável pelas barragens que se romperam. A
chamada Bacia do Rio Doce é formada por 230 municípios, sendo 202 no
estado capixaba. A maioria, 90% é formada por cidades com menos de 20
mil habitantes. Diretamente, são afetados 3,1 milhões de pessoas.
Acompanhe
a matéria factual sobre as providências tomadas pelos governos federal,
estadual, municipal e Justiça, e ao final leiam uma radiografia
completa sobre as potencialidades econômicas da região. Na agricultura,
estarão afetados direta ou indiretamente a pecuária de leite e corte,
suinocultura, produção de café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros e
cacau.
No rio, os principais peixes são: robalo, traíra, acará,
piabanha, jundiá, bagre-africano, carpa, tilápia, pitú, cascudo e
moréia. Este mesmo rio que irá juntar-se à Bacia Hidrográfica do Paraíba
do Sul, fonte de abastecimento de água do estado do Rio de Janeiro.
Dilma dá multa severa .
A
presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quinta-feira (12/11), durante
visita a Governador Valadares (MG), que o Ibama vai aplicar uma multa de
R$ 250 milhões à Samarco Mineradora.
A empresa, cujos donos são a
Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, é responsável pelas duas
barragens que se romperam há uma semana, causando uma enxurrada de lama
que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues e avança sobre o Rio
Doce, causando prejuízos às cidades por onde passa.
"A multa
preliminar é de R$ 250 milhões por dano ambiental e comprometimento da
bacia hidrográfica, dano ao patrimônio público e pela interrupção da
energia elétrica", afirmou Dilma durante a coletiva.
A presidente
disse que os estados atingidos podem também pedir ressarcimento à
mineradora. O Ibama confirmou que vai aplicar cinco multas de R$ 50
milhões cada uma.
Abastecimento
Governador Valadares está
entre as cidades onde a captação de água precisou ser interrompida por
causa da lama que tomou conta do Rio Doce.
O juiz Lupércio Paulo
Fernandes de Oliveira, da Comarca de Valadares, determinou que a Samarco
forneça 800 mil litros de água por dia para garantir o abastecimento do
município durante 72 horas, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão.
A
decisão exige também que a Samarco monitore a qualidade da água do Rio
Doce e apresente, em 30 dias, um plano para verificar a persistência de
poluentes na água e outro para reparação dos danos causados.
Visita
A
presidente Dilma Rousseff desembarcou no aeroporto de Governador
Valadares por volta das 13h15 desta quinta. Ela chegou à cidade de
helicóptero, após visitar Mariana, onde ficam as barragens.
Dilma
veio acompanhada dos ministros Aloísio Mercadante (Educação), Izabella
Teixeira (Meio Ambiente) e Gilberto Occhi (Integração Nacional).
Também
participaram da visita o prefeito de Mariana, Duarte Júnior, e os
governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e do Espírito Santo,
Paulo Hartung. Eles vieram com o gabiente de crise, formado por
representes da Defesa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de
Bombeiros para amenizar os danos causados.
Depois de Valadares, a
presidente seguiu para Colatina (ES), que também passa por problemas
de abastecimento de água pela contaminação do Rio Doce.
Radiografia da bacia do Rio Doce
Cerca
de 3,1 milhões de pessoas vivem hoje na bacia do rio Doce, que
compreende 230 municípios, sendo 202 mineiros e 28 capixabas.. Desses
municípios 90% possuem menos de 20 mil habitantes. O Vale do Aço tem o
maior adensamento populacional da bacia, e o fluxo migratório
direciona-se, sobretudo, para as maiores cidades, como Ipatinga e
Governador Valadares. Em decorrência, há uma tendência de diminuição
populacional nos municípios com população de até 20.000 habitantes, que
representam cerca de 93% dos municípios da bacia do rio Doce.
As
nascentes dos formadores do rio Doce estão em altitudes superiores a
1.000 m. Ao longo de seu curso, sobretudo a partir da cidade de São José
do Goiabal, o rio Doce segue em altitudes inferiores a 300 m.
A economia da região da bacia do rio Doce está baseada principalmente nas seguintes atividades:
Agricultura
Pecuária de leite e corte, suinocultura, café, cana-de-açúcar, hortifrutigranjeiros e cacau.
Indústria
Siderurgia, metalurgia, mecânica, química, alimentícia, álcool, têxtil, curtume, papel e celulose.
Mineração
Ferro, ouro, bauxita, manganês, rochas calcárias e pedras preciosas.
Dados técnicos; Bacia Rio Doce
Nascentes
Ribeirão do Carmo, Mariana/MG
Rio Piranga, Ressaquinha/MG
O
rio Piranga é considerado o principal formador do rio Doce, que recebe
esse nome quando do encontro do rio Piranga com o rio do Carmo.
Extensão
853 km
Desaguadouro
Oceano Atlântico – localidade de Regência, Linhares/ES
Principais municípios banhados pelo rio Doce
Em Minas Gerais
Aimorés
Conselheiro Pena
Galiléia
Governador Valadares
Ipatinga
Itueta
Perequito
Resplendor
Tumiritinga
No Espírito Santo
Baixo Guandu
Colatina
Linhares
Principais afluentes
Margem esquerda em Minas Gerais
Piracicaba
Santo Antônio
Suaçuí Grande
Margem esquerda no Espírito Santo
Pancas
São José
Margem direita em Minas Gerais
Caratinga-Cuietê
Casca
Manhuaçu
Matipó
Margem direita no Espírito Santo
Guandu
Limites da bacia
Sul
Bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul
Oeste
Bacia do rio São Francisco, e, em pequena extensão, com a do rio Grande.
Norte
Bacia dos rios Jequitinhonha e Mucuri
Noroeste
Bacia do rio São Mateus
Não há
dúvidas: o melão amarelo é o mais popular no Brasil. Nas feiras,
supermercados e hortifrútis, esta fruta se destaca pelo tamanho
avantajado e o amarelo vivo de sua casca. Membro da família das
melancias, abóboras e pepinos, o melão é uma hortaliça refrescante,
fonte de vitaminas e fibras.
Com poucas calorias e muita água em
sua composição, o melão amarelo é ótimo para manter o corpo hidratado,
podendo ser consumido in natura ou em sucos – neste caso, o melhor a
fazer é não coar, para evitar a perda de fibras.
Com produção em
alta nesta época do ano, o melão amarelo pode ser encontrado com ainda
mais facilidade. Algumas dicas para escolher o melhor fruto são observar
a casca (que deve ter cor amarela bem forte, sem áreas e faixas verdes
que indicam que o fruto foi colhido antes da época certa) e a
consistência do fruto, que deve ser firme e pesado, sem áreas amolecidas
e escuras.
O melão pode ser mantido por vários dias em condição
ambiente, em local fresco e ao abrigo de sol. Após ser cortado, deve ser
mantido em geladeira embrulhado com filme plástico ou em uma vasilha
com tampa. Uma dica para aumentar o período de validade é congelá-lo em
pedaços e depois bater no liquidificador para fazer sucos. Desta forma, o
produto pode durar até 6 meses.
Em 2014, o melão amarelo esteve
entre os 15 produtos mais vendidos no Entreposto São Paulo da CEAGESP,
movimentando mais de R$ 140 milhões. Para que você possa aproveitar
melhor esta fruta das mais diversas formas, uma sugestão é experimentar
algumas sobremesas ou servir a fruta como entrada, acompanhando pratos
salgados.
Beneficiários do
programa Rio Rural, do governo estadual, participaram de atividade de
campo para divulgação do Tomatec, tecnologia desenvolvida pela Embrapa
Solos, órgão de pesquisa do governo federal.
Agricultores do
município de Tanguá, Região Metropolitana, beneficiários do Programa Rio
Rural, da secretaria estadual de Agricultura, participaram de dia de
campo onde conheceram o "Tomatec", sistema de produção de tomates que
reduz de forma significativa o uso de agrotóxicos, em comparação com o
cultivo convencional. Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa Solos), o Tomatec utiliza tecnologias como manejo
integrado de pragas, fertirrigação por gotejamento, ensacamento de
frutos e uso de fitilhos na lavoura.
A principal inovação deste
tipo de cultivo é a combinação de diversas práticas para a melhoria da
produção. Entre elas, o ensacamento dos frutos funciona como uma
barreira contra os defensivos agrícolas, enquanto a fertirrigação
concilia a irrigação e a adubação do solo em um mesmo processo. O uso de
fitilhos plásticos - que substitui o bambu - e o manejo integrado de
pragas evitam a propagação de doenças na plantação.
Produtora de
citros orgânico, Mônica da Silva Bicudo pretende diversificar sua
lavoura com o tomate. Ela ficou interessada em utilizar as tecnologias
apresentadas em um sistema orgânico de cultivo. Para o olericultor
Alcidiney Rosa Soares, o Tomatec pode estimular mudanças, ao reduzir o
uso de aditivos químicos.
- Ainda não planto tomates, mas pode
ser uma boa opção, porque rende um pouco mais. Conhecer a técnica foi
bom, já que trabalhar com agrotóxicos é complicado e perigoso -
destacou.
Maria Rosélia da Silva, supervisora substituta, técnica
em agropecuária da Emater-Rio e executora do Programa Rio Rural,
destaca que o evento foi alinhado com a questão do desenvolvimento rural
sustentável.
- Foram quatro palestras muito interessantes e os
produtores gostaram bastante. É importante que conheçam novas práticas -
destacou. Além das tecnologias utilizadas no Tomatec, foram discutidos
conceitos relacionados à conservação de solo, eficiência do uso da água e
adubação.
O dia de campo sobre o Tomatec foi uma realização da
Embrapa Solos, em parceria com a Emater-Rio e a secretaria municipal de
Agricultura de Tanguá.
Veja a relação de produtos que estão mais em conta esta semana e os que estão mais caros, segundo a Ceagesp.
Semanalmente
a CEAGESP (Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo)
prepara uma lista com produtos com os preços no atacado em baixa,
estáveis ou em alta, para você se alimentar bem e economizar mais.
Confira a lista dos produtos:
PRODUTOS COM PREÇOS EM BAIXA
Ameixa
nacional FLA, pêssego aurora, coco verde, melancia, manga tommy atkins,
morango comum, laranja pera, melão amarelo, berinjela, gengibre,
abobrinha italiana, pepino japonês, gengibre, pepino comum, chuchu,
cenoura, abóbora moranga, batata doce rosada, mandioca, cebolinha, milho
verde, gengibre com folha, couve manteiga, repolho verde, alface
crespa, alface lisa e alho porró.
PRODUTOS COM PREÇOS ESTÁVEIS
Mamão
papaya, banana prata sp, jabuticaba, abacaxi pérola, graviola, caju,
atemoia, tangerina murcot, laranja lima, laranja seleta, uva itália,
acerola, banana terra, uva rubi, beterraba, cara, pepino caipira, batata
doce amarela, jiló, abóbora seca, repolho roxo, espinafre, rúcula,
nabo, mostarda, cenoura com folha e ovos branco.
PRODUTOS COM PREÇOS EM ALTA
Mamão
formosa, carambola, goiaba branca, fruta do conde, maçã estrangeira,
figo, limão taiti, abacate breda, maracujá azedo, maracujá doce, pera
estrangeira, uva crinsson, banana maçã, uva rosada, pimentão vermelho,
pimentão amarelo, tomate, abóbora japonesa, ervilha torta, mandioquinha,
vagem macarrão, agrião, salsa, brócolos ninja, acelga, couve-flor,
coentro, rabanete, brócolos comum, batata lavada e alho nacional.

De casca aveludada e sabor marcante, os pêssegos são queridinhos entre as frutas de verão, e sempre estão presentes nas festas de fim de ano – seja em sobremesas, pratos ou in natura. Natural da China, o pessegueiro pode atingir até 8 metros de altura e se adequa facilmente aos mais diversos climas: em São Paulo, por exemplo, as cidades de Ribeirão Grande, Atibaia e Jarinu destacam-se no cultivo da fruta.
Entre os mais diversas tipos de pêssego que encontramos no Brasil, o Aurora, que está com preço em baixa esta semana, é um dos mais populares. Além de ser um dos frutos mais apreciados em todo o mundo, este pêssego é rico nas Vitaminas A, B e C e também em fibras e minerais, como o fósforo e o ferro. Estas substâncias, além de exercerem função desintoxicante, melhoram o funcionamento intestinal e fortalecem o sistema imunológico.
Para aproveitar melhor os benefícios trazidos pelo pêssego, o ideal é guarda-los em uma fruteira à sombra, mantidos em temperatura ambiente. Os frutos mais maduros, porém, podem ser levados à geladeira para que durem mais, e lembre-se: fique sempre atento ao manuseio, pois pêssegos são frutas delicadas.
Nesta época do ano, por conta do aumento da produção, você encontra pêssegos com maior facilidade e menor preço. No Entreposto São Paulo da CEAGESP, o preço da fruta no atacado pode chegar a até R$ 2,30 o quilo nesta semana.
Estiagem castiga plantações
em propriedades do Ceará. Agricultores registram perdas de mais da
metade da safra. Sindicato dos produtores calcula que a safra deve ser
de 40 mil toneladas.
A produção de caju cai ano após ano no
Ceará. Um dos maiores problemas é a estiagem que castiga os pomares. São
470 hectares de cajueiros nas terras do agricultor Evilázio Dantas em
Cascavel, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará. Mas,
praticamente não há cajus. Os pés estão todos secos. Este ano, ele
perdeu 70% da safra.
“Em épocas boas nós colhemos 205 toneladas. Esse ano, não vamos colher nem 30”, calcula Dantas.
O
agricultor Almir Gomes, que mora em Caucaia, perdeu 90% da produção.
“Era uma média de 50 caixas naquela época. Agora, diminuiu para cerca de
20 a 30”, diz.
O sindicato dos produtores calcula que a safra
deste ano deve ser de 40 mil toneladas, com redução de 11 mil em relação
à safra anterior.
Há alguns anos, o estado produzia 170 mil
toneladas. A seca, as pragas, os ventos fortes e a grande quantidade de
cajueiros antigos contribuíram para a queda. Hoje, dos 350 mil hectares
que a cultura ocupa no estado, em 300 mil os pés são velhos e dão menos
frutos, segundo o sindicato dos produtores de caju.
“Tem que se
pensar em cajueiros mais resistentes, mais adaptados a essa região. A
única solução que tem seria a renovação dessas áreas”, diz Walter
Gadelha, agrônomo do Sincaju.
A previsão do IBGE para a safra de
caju é de mais que o triplo. Mas, segundo os organismos locais do
estado, a estimativa está desatualizada.
Fonte: Globo Rural.