
Semanalmente,
a CEAGESP (Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo)
prepara uma lista de produtos com os preços em baixa, estáveis ou em
alta no atacado, para você se alimentar bem e economizar mais. Confira a
lista dos produtos:
PRODUTOS COM PREÇOS EM BAIXA
Ameixa
nacional FLA, pêssego aurora, laranja seleta, coco verde, manga tommy
atkins, morango comum, laranja pera, melão amarelo, abóbora seca,
berinjela, abobrinha italiana, pepino japonês, gengibre, pepino comum,
cenoura, abóbora moranga, mandioca, cebolinha, milho verde, gengibre com
folha, couve manteiga, repolho verde, alface crespa, alface lisa e alho
porró.
PRODUTOS COM PREÇOS ESTÁVEIS
Pêssego dourado, mamão
papaya, melancia, banana prata SP, abacaxi pérola, graviola, caju,
atemóia, tangerina murcot, laranja lima, uva utália, acerola, banana
terra, uva rubi, pimentão verde, batata doce rosada, beterraba, pepino
caipira, batata doce amarela, jiló, repolho roxo, espinafre, rúcula,
nabo, mostarda, cenoura com folha e ovos branco.
PRODUTOS COM PREÇOS EM ALTA
Mamão
formosa, carambola, goiaba branca, fruta do conde, maçã estrangeira,
figo, limão taiti, maracujá azedo, maracujá doce, pera estrangeira, uva
crinsson, banana maçã, uva rosada, chuchu, cara, pimentão vermelho,
pimentão amarelo, tomate, ervilha torta, mandioquinha, vagem macarrão,
escarola, agrião, salsa, brócolos ninja, acelga, couve-flor, coentro,
rabanete, brócolos comum, batata lavada e alho nacional.
Docinhas e
suculentas, as ameixas estão sempre presentes nas ceias e festas de
final de ano. Aproveite que nesta semana, a ameixa nacional está com
preço em baixa, e saiba mais sobre as propriedades nutricionais desta
fruta saborosa, que possui bastante oferta nesta época do ano.
Cultivada
pela humanidade há mais de 2 mil anos, as ameixas contém uma série de
componentes benéficos para o nosso corpo, como potássio, fibras,
Vitaminas A e C e muitos outros. Por conta desta riqueza nutricional,
esta frutinha promove uma série de melhorias na saúde. Confira:
1- Melhora o funcionamento do sistema digestivo, através da absorção de fibras.
2 - Atua como antioxidante natural, por conta do alto teor de Vitamina C.
3- Também através da Vitamina C, fortalece o sistema imunológico contra infecções.
4- Ajuda o corpo a metabolizar os carboidratos
5 - Possui componentes que ajudam a proteger a retina dos raios solares.
Na
hora de escolher qual ameixa levar, o ideal é buscar frutas com a casca
íntegra e coloração uniforme. Por ser bastante macia, as ameixas devem
ser conservadas em geladeira para que não amadureçam demais. Também é
possível partir os frutos ao meio, remover os caroços e congelá-los por
até um ano, mas atenção: com o descongelamento, a polpa fica mais mole,
tendo uma consistência mais adequada para o preparo de sucos ou doces.
Enquanto isso a
inflação prevista para o final de 2015 é de 11%. O quilo da cebola nas
centrais de abastecimento foi o recordista nos reajustas assombrosos
para o consumidor.
Por Jorge Lopes
O consumidor
que vai ao supermercado, aos chamados Varejões ou "sacolões" já tem
notado com espanto uma alta sem precedentes nos preços dos legumes,
frutas, ovos e, geralmente, atribuindo isso aos chamados aumentos dos
tributos, energia elétrica e até mesmo o décimo terceiro salário de
funcionários. Mas, se prepare, por que esses aumentos não irão parar até
o final do ano. Pelo menos é que o que dizem produtores rurais e
comerciantes que trabalham nas principais centrais de abastecimento do
país. Os reajustes de preços nos últimos quinze dias, por exemplo, para
alguns desses alimentos já chegaram a 100%, muito acima da inflação
projetada para o ano inteiro.
De acordo com analistas
financeiros e economistas, a inflação brasileira já atingiu 2 dígitos,
com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE chegando a
registrar 9,93%, o maior desde novembro de 2004, quando o indicador
atingiu 11,02% em doze meses. E em cinco das 13 regiões analisadas pelo
IBGE, a inflação passou dos 10%. Analistas já prevêm taxas de 11% para
a inflação no apagar das luzes de 2015.
Nos alimentos, ela já
chegou até mesmo multiplicada por 10: o preço da cebola, por exemplo, já
passou dos 100% na principal central de abastecimento da América
Latina, a Ceagesp (SP), administrada pelo governo federal. Nela, o
quilo da cebola estava custando, nesta segunda-feira (16/11), R$ 3,17.
No dia 31 de outubro esta mesma cebola custava, no atacado, R4 1,49, e
fechou a semana passada em R$ 2,86.
Na Ceasa do Rio de Janeiro a
cebola está custando R$ 2,75, com a saca de 20 kg sendo vendida entre
R$ 50 e R$ 60. Na Ceasa ES, o quilo está por R$ 2, 25 e na Ceasa Minas
Gerais, a R$ 2.
Nas principais regiões produtoras de cebola do
país, como RS, SC e PR, estados castigados pelas chuvas, os preços do
quilo da cebola estão se mantendo nestes patamares: R$ 2,75, R$ 2,46 e
R$ 2,25. Houve uma grande perda na produção do estado de Santa Catarina e
isso está começando a se refletir nos preços atuais.
Segundo um
dirigente de associação no âmbito das Ceasas do Sudeste, no caso da
cebola a situação poderia ser bem pior se os comerciantes,
principalmente do sudeste do país, não comprassem cebolas importadas da
Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Argentina que, mesmo tendo problemas
devido ao transporte feito por longa distância, que diminuía a qualidade
do produto quando era desembarcado nas centrais. "Se não fosse isso,
pode ter certeza que a saca estaria custando R$ 200", enfatiza.
Mais preços altos
O
portal CeasaCompras.com preparou uma lista com sete principais
ingredientes que não podem faltar na cozinha do brasileiro, de jeito
nenhum, além do feijão com arroz, claro. Os itens dessa cesta são a
alface, que também está com o preço absurdo nos últimos dias, o alho,
cebola, batata, limão, tomate e ovos. Vejamos:
Ceagesp (preços por quilo)
Alface R$ 8,39; alho R$ 16,17; batata R$ 3,37; cebola R$ 3,17; limão R$ 6,61; ovos R$ 2,67 (dúzia) e tomate R$ 4,13.
Ceasa Grande Rio (preços por quilo)
Alface R$ 5 (dúzia); alho R$ 12; batata R$ 1,80; cebola R$ 2;75; limão R$ 4,40; ovos R$ 2,60 (dúzia) e tomate R$ 1,87.
Ceasa Minas Gerais
Alface R$ 10 (dúzia); alho R$ 13; batata R# 2,40; limão R$ 3,50; ovos R$ 2,67 (dúzia) e tomate R$ 2,76.
Ceasa Espírito Santo
Alface R$ 6; alho R$ 13,75; batata R$ 2,80; cebola R$ 2,25; limão R$ 4,50; ovos R$ 2,52 (dúzia); tomate R$ 1,61.
Preços na região sul afetada pelas chuvas intensas
Nas
Ceasas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, nós preparamos
uma cesta com 12 tipos de alimentos e os seus respectivos preços por
quilo e dúzia.
Ceasa RS
Alface R$ 10 (dúzia); alho (R$
15), batata R$ 3; batata doce R$ 2; brócolis R$ 4,19; cebola R$ 2,75;
chuchu R$ 1,25; couve R$ 2,50; couve-flor R$ 3,33; jiló R$ 6,50; limão
R$ 5; mandioca/aipim R$ 1.
Ceasa SC
Alface R$ 9,60; alho
R$ 15; batata R$ 2,40; batata doce 1,36; brócolis R$ 3,20; cebola R$
2,46; couve R$ 2,80; couve-flor R$ 4; chuchu R$ 0,68. jiló R$ 3,13;
limão R$ 5; mandioca/aipim R$ 1,09.
Ceasa PR
Alface R$
4,67; alho R$ 10; batata R$ 1,60; batata doce R$ 1,14; brócolis R$ 1,25;
cebola R$ 2,25; couve R# 2; couve-flor R$ 2,08; chuchu R$ 0,68; jiló
R$ 3,12; limão R$ 2,80; mandioca/aipim R$ 3,63.
.
Especialistas
estimam tempo para a natureza se regenerar após rompimento da barreira.
Na Região Serrana do Rio, a tragédia mudou o mapa da localidade. Veja
esse alerta publicado no Dia.
Como uma grande ferida aberta, a
natureza em Mariana (MG) e na Região Serrana do Rio levará anos para
cicatrizar e voltar a ser como antes. Assim como os moradores que vão
demorar para superar a tragédia que devastou o distrito de Bento
Rodrigues, os municípios de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo, até
hoje, quatro anos depois, ainda não se recuperaram das chuvas que
devastaram a região, provocando a morte de mais de 900 pessoas.
Para
o geógrafo do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Uerj, Hugo
Portocarrero, será necessário pelo menos uma década para a natureza se
regenerar parcialmente. A recuperação plena é difícil prever, uma vez
que o desastre ambiental, nas duas regiões, mudou o curso de rios,
destruiu plantações e provocou mortandade de espécies. “Um desastre
dessa proporção altera o relevo. Sozinha, a natureza levará muito tempo.
Será preciso que o homem intervenha e faça o reflorestamento das áreas
atingidas”, afirma. O que, diz ele, não foi feito na Serra.
“Desassorearam os rios e fizeram contenção de encostas. Mas não foi
feito reflorestamento.”
O especialista espera que as duas
tragédias sirvam de alerta. “Obras gigantescas como as que vêm sendo
feitas implicam riscos da mesma magnitude. Infelizmente, não havia
nenhum plano de contingência”, destaca o especialista, lembrando que,
enquanto na Serra o acidente foi um fenômeno geológico, em Minas foi
geotécnico. “A cada 50 anos, ocorrem acidentes ambientais que levam ao
surgimento de morros e encostas. Em Mariana, foi diferente. Houve
ruptura de barragem por negligência governamental”, diz Portocarrero.
Ele explica que a tendência é que, com o tempo, o solo aproveite o
material que veio com a lama, como o ferro.
Para o biólogo
Leonardo Freitas, da Mosaico Ambiental, especializado em gestão de
desastres, a reocupação das áreas vai depender do poder público e da
empresa Samarco, que teve R$ 300 milhões bloqueados pela Justiça para
pagamento de indenizações às vítimas e foi multada em R$ 250 milhões por
danos ambientais — punição esta divulgada pela própria presidenta Dilma
Rousseff. “Nunca mais vai voltar a ser o que era. A tragédia foi muito
grande. Os rios foram assoreados. A natureza não vai se recuperar 100%.
Com o tempo, a correnteza vai levando os sedimentos e o homem vai voltar
a ocupar o espaço. Mas parte desses detritos nunca será retirada”,
avalia.
Na Serra, mortes seriam evitadas
Mapeamento feito
logo após a catástrofe na Região Serrana pela empresa Mosaico Ambiental,
comparando imagens de satélite, mostrou que 70% das edificações
destruídas pela enxurrada no Vale do Cuiabá, em Petrópolis, estavam em
áreas de preservação permanente e que, portanto, não deveriam estar ali.
“Se a legislação da época de ordenamento territorial tivesse sido
respeitada, mais da metade das mortes poderiam ter sido evitadas”,
constata o biólogo Leonardo Freitas. Na avaliação dele, os mais
vulneráveis são as populações de baixa renda que ocupam encostas e as
margens de rios, onde ocorrem deslizamentos e inundações.
Segundo
o ecologista Sérgio Ricardo, em Minas Gerais existem atualmente cerca
de 600 barragens de rejeitos e resíduos industriais e minerários
classificadas como de alto risco ambiental. “Esta grave situação de
risco tem sido literalmente ‘empurrada com a barriga’ há décadas”,
denuncia.
Água do rio Doce afetada por ferro e mercúrio
Lama
do rompimento das barragens mata tudo que é vida dentro do rio e no
entorno, sem contar a grande área afetada que foi riscada do mapa com o
rompimento das barragens da empresa da Vale do Rio Doce, a mineradora
gigante brasileira.
Segundo o geólogo Luiz Paniago Neves,
coordenador de fiscalização de pesquisa mineral do Departamento Nacional
de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização de
barragens de rejeitos, o rejeito de minério de ferro é classificado como
inerte, ou seja, inofensivo. Se ele chegar ao leito de um rio, por
exemplo, a água poderá ficar turva, ocorrerá uma sedimentação, mas o
consumo da água não terá impacto na saúde. Apesar disso, ainda não houve
nenhuma análise específica dos rejeitos despejados pelas barragens
rompidas.
No entanto, em Governador Valadares, uma das cidades
banhadas pelo Rio Doce, o diretor geral do serviço autônomo de água e
esgoto, Omir Quintino, disse que a água coletada para análise apresentou
alto índice de ferro, o que inviabiliza o tratamento, além de grande
quantidade de mercúrio, que é muito tóxico. Já a Samarco diz que não
havia elementos tóxicos no material, o que é uma mentira.
Segundo
o Ibama, estima-se o lançamento de 50 milhões de metros cúbicos de
rejeito de mineração, o suficiente para encher 20 mil piscinas
olímpicas, composto principalmente por óxido de ferro e sílica (areia).
O que essa lama provoca?
De
acordo com a coordenadora do núcleo de emergências do Ibama de Minas
Gerais, Ubaldina da Costa Isaac, a lama atingiu uma extensão de 80 km do
leito d’água na região. Uma das consequências é o assoreamento, ou
seja, o acúmulo de sedimentos na calha do rio, causando impactos
socioeconômicos e ambientais.
Conforme o Ibama, houve alterações
nos padrões de qualidade da água (turbidez, sólidos em suspensão e teor
de ferro). Um dos impactos é a mortandade de animais, terrestres e
aquáticos, por asfixia. Já no Rio Doce, onde chega mais diluída, a morte
de peixes ocorre pelo sistema respiratório, complementa o instituto.
BRASÍLIA
(bsb) Nesta quinta-feira (12/11) foi assinalada pelo lançamento da
Frente Parlamentar de Defesa e Valorização da Produção Nacional de Uvas,
Vinhos, Espumantes e Derivados, no salão verde da Câmara dos Deputados.
O deputado federal Afonso Hamm (PP-RS) assumiu a vice-presidência da
Frente Parlamentar que tem mais de 200 participantes entre Câmara dos
Deputados e do Senado Federal. A presidência está a cargo do deputado
Mauro Pereira. O evento foi assinalado pelos pronunciamento dos
participantes, brinde com espumantes fabricados na serra gaúcha e
degustação de sucos.
Hamm, que já presidiu a Frente Parlamentar
da Fruticultura, destaca a importância da frente para contribuir com as
discussões e avanços em prol do desenvolvimento do setor.
Entre
as pautas prioritárias, o deputado destaca sobre a Medida Provisória
690/2015, que onera o setor, elevando os tributos para as bebidas
quentes, como vinhos, espumantes, cachaças, uísque, vodca, entre outras.
Hamm salienta que na próxima quinta-feira será votado o relatório da
MP. “Os vinhos que tinham uma tributação limitada a R$ 0,73 por litro
(teto do IPI com sistema atual), com esta medida, passarão a pagar uma
alíquota de 10%”, observa Hamm ao observar que o importante é reduzir a
carga tributária e não onerar o setor.
Supersimples
Outro
ponto importante enfatizado pelo deputado é em relação a inclusão dos
vinhos e espumantes no Supersimples. A proposta, que foi liderada por
Afonso Hamm para a inserção das bebidas na nova legislação das micro e
pequenas empresas, já foi aprovada no plenário da Câmara dos Deputados e
agora está tramitando no Senado Federal.
O vice-presidente da
Frente ainda observa sobre o potencial produtivo da uva e vinho, assim
como, para exportar o excedente. Somente no Rio Grande Do Sul são mais
de 15 mil famílias de pequenos produtores de uva e mais de duas mil
unidades de processamento de vinícolas em todo país. O deputado
acrescenta que a uva e vinho também contribuem na qualidade de vida das
pessoas e na saúde, conforme comprovada por médicos.
O deputado
Afonso Hamm aprovou nesta semana, na Comissão da Agricultura, a
realização de audiência pública para tratar sobre esses dois temas. O
encontro já está marcado para o dia 8 de dezembro, em Brasília, com a
presença dos representantes da cadeia produtiva.
E nome do setor,
o pronunciamento ficou a cargo do presidente do Conselho Deliberativo
do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Moacir Mazzarollo, que
ressaltou sobre a criação da Frente que servirá de elo para trabalhar
com as causas do setor, assim como, a legislação. O diretor executivo do
Ibravin, Carlos Paviani, apresentou os dados produtivos do setor.
As
manifestações também ficaram a cargo dos presidentes da Associação
Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Evandro Lovatel; da Federação das
Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho), Oscar Ló; União Brasileira de
Vitivinicultura (Uvibra), Dirceu Scottá; o presidente da Associação
Brasileira das Indústrias de Suco de Uva (Asbrasuco), José Carlos
Stefenon; o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva
Protas; o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de
Viticultura, Vinhos e Derivados e do Sindicato da Indústria do Vinho de
Jundiaí, Humberto Cereser e o presidente da Vinhosaf, Gualberto de
Almeida.
Vale do Rio Doce: padecimento com a poluição
Por Jorge Luiz Lopes
Edição André Ferreira e Helen Simões Lopes
Nesse
estudo elaborado pela pesquisadora Gisele Inácia da Silva, de Minas
Gerais, mostra muito bem o que vai acontecer de pior com o rio Doce que
está sofrendo com o desastre ambiental sem precedentes, e que atinge
dois estados diretamente e outro, o Rio de Janeiro, indiretamente.
Estamos publicando o estudo na íntegra, como parte do especial que faz
parte também do Blog CeasaCompras.com.
Organização Espacial do Vale Rio Doce:
A
região do Vale do Rio Doce se organizou após a construção da estrada de
Ferro Vitória-Minas, quando as matas foram devastadas para fornecimento
de carvão para a ferrovia, para as siderúrgicas que se instalaram no
Alto Rio Doce e as atividades madeireiras. Aos poucos foram
estabelecidas áreas de pastagens e também as culturas de café que por
sua vez foram substituídas por pastagens plantadas e algumas
agriculturas de subsistência. Na área de Peçanha, Santa Maria do Suaçuí e
municípios próximos a ocupação foi mais antiga, correspondendo a um
ciclo de mineração que deu origem aos primeiros centros urbanos, sendo
que ainda há extração de mica e pedras coradas semi-preciosas.
A Bacia do Rio Doce:
O
rio Doce nasce numa altitude superior a 1.000m, nas serras do Complexo
do Espinhaço e da Mantiqueira no estado de Minas Gerais e percorre 853
Km, correndo entre os vales dos rios Piracicaba e Piranga, perfazendo
uma grande curva para leste na altura de Governador Valadares em direção
ao litoral Atlântico do estado do Espírito Santo, onde deságua. Sua
área de drenagem abrange 83.400 km2, dos quais 86% pertencem a Minas
Gerais e 14%, ao Espírito Santo.
Sua população é de 2,8 milhões
de habitantes, sendo que, somente 12 cidades têm uma população acima de
30.000 hab, 163 municípios estão localizados na área da bacia (153 em
Minas e 10 no Espírito Santo), com 70% de suas cidades tendo uma
população inferior a 5.000 habitantes.
O regime do rio Doce é
considerado como sub-equatorial, com vazões máximas em janeiro e
fevereiro e mínimas em setembro (fim da estação invernal).
A
bacia não é atualmente muito explorada em termos de potencial
hidrelétrico. Foi feito um estudo pela ELETROBRÁS que detalha a possível
formação de cerca de aproximadamente 70 reservatórios destinados a
produção de energia elétrica. A produção total de todos os
aproveitamentos contemplados seria próxima a 3.700 MW.
Na bacia a
água é captada para satisfazer três usos principais: irrigação,
abastecimento industrial e abastecimento doméstico. A degradação atual
da qualidade das águas da Bacia do Rio Doce é resultante de impactos
poluidores: fontes de poluição pontuais (industriais e centros urbanos) e
fontes de poluição difusas (propriedades rurais, uso de pesticidas e
herbicidas, atividades de garimpo, uso inadequado das terras - erosão).
Com
a rápida devastação da floresta natural aumentada nos anos 40, as
cargas de sólido em suspensão aumentaram acentuadamente, especialmente
durante as fortes chuvas de verão, como demonstram os dados históricos. A
tabela a seguir nos mostra o uso da terra por área total da bacia:
Em 1980 as florestas naturais ocupavam menos de 7,2% da área total da Bacia.
As Atividades Econômicas:
As
atividades econômicas da Região do Vale Rio Doce concentram uma
população economicamente ativa, principalmente no setor primário. A
agricultura é extensiva e caracterizada por métodos tradicionais de
baixa tecnologia, com baixa produtividade, dando destaque ao café, a
criação de gado e as culturas de subsistência. Economicamente, a criação
de gado é a atividade mais representativa e distribuída em toda a
bacia. A tendência indica a substituição das lavouras de café por
pastagens ou reflorestamento com pinus ou eucalipto. Nota-se a
diminuição da população rural com êxodo para as cidades.
As
atividades industriais são fortemente ligadas à mineração e atividades
correlatadas, são de primordial importância na bacia. Esta inclui boa
parte do Quadrilátero Ferrífero, que é responsável por cerca de 61% da
produção brasileira de minério de ferro, e onde se localizada 31% da
produção de aço. Atividades de menor importância incluem indústrias
produzindo açúcar e álcool, papel e celulose e outras mecânicas,
químicas e metalúrgicas.
Os principais pólos das áreas de
mineração estão localizados na parte ocidental da bacia: Itabira, Marina
e Antônio Dias. A produção já supera 70 milhões de toneladas,
principalmente pela Cia. Vale do Rio Doce (CVRD), o que mostra sua
importância em termos importância em termos do desenvolvimento econômico
da bacia. A produção é transportada por uma ferrovia ao longo do curso
do Rio Doce que chega a Vitória (ES).
A siderurgia é composta por
quatro empresas que operam na sub-bacia do rio Piracicaba: a USIMINAS
(Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais), a ACESITA (Aços Especiais
Itabira), a COSIGUA (Cia. Siderúrgica da Guanabara) e a Cia Siderúrgica
Belgo-Mineira.
Vegetação
No meio de muitas áreas onde
a antiga Floresta Atlântica cobria solos lateríticos pobres, que foram
transformados em pastagens e hoje são áreas de verdadeiros desastres
ecológicos, a mais emblemática destas regiões é o Vale do Rio Doce.
Considerada economicamente próspera, por ter atraído grandes
siderúrgicas alimentadas pelo minério de ferro do Quadrilátero
Ferrífero, a região que há cinqüenta anos era coberta por uma das mais
belas florestas tropicais da terra, apresenta hoje uma paisagem quase de
deserto. Na realidade é pior do que um deserto, pois não tem vegetação
típica do deserto e está sujeita às fortes chuvas que abrem voçorocas e
acabam com o solo.
A maior parte da área transformada em
pastagem para pecuária extensiva está em franca decadência. Um
riquíssimo patrimônio de biodiversidade foi sacrificado para se obter
uma produção cada vez menor de carne e leite. O que ainda ameniza um
pouco a situação são as plantações de eucalipto para celulose e carvão
vegetal, que criam utilidade econômica para algumas parcelas do solo.
Sob
a ótica de uma economia ecológica, transformar uma rica floresta
tropical em uma pastagem de baixa produtividade e curta duração é a mais
irracional e predatória das atividades humanas.
Aspecto geológico:
Apresenta
no aspecto geológico embasamento cristalino do pré-cambriano, com
topografia acidentada, apresentando altitudes que variam de 200 a 1.000 m
e superfície de 62.076km2. O subsolo da região apresenta amianto,
argila, mica, pedra coradas (semi-preciosas), quartzo e outras.
No
campo mineral, toda região fornece um panorama positivo, desde grandes
explotações de minério de ferro bem como produção de pedras preciosas,
ouro e diamante.
Estrutura fundiária:
A estrutura
fundiária concentra uma média de 80% das terras nas mãos de apenas 16%
da população, em estabelecimentos de mais de 100 ha, cujas terras são
constituídas em sua maior parte por pastagens extensivas, predatórias e
antiprodutivas.
Mas isto pouco contribui para o desenvolvimento
integrado agricultura-indústria, que existe em estágio mais avançado em
outras regiões mineiras, como, por exemplo, o sul de Minas e o Triângulo
Mineiro.
Com relação à população do Rio Doce o que se observa é
um a falta de absorção e fixação dos habitantes na região. Esse
fenômeno, aliás, é comum não só em nosso Estado, como em nosso país e
mesmo na América Latina: esvaziamento da região rural e aumento das
regiões urbanas. Esta população está em acentuada queda numérica, a área
rural apresenta aproximadamente 42% da população e a urbana 58%.
Hidrografia:
As
bacias hidrográficas dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce de caráter
exorreico, constituem as redes de drenagem mais importantes, com número
elevado de caudais volumosos serpeando por regiões, outrora abundantes
em cobertura de florestas tropicais. A precipitação média é de 1.250mm e
de abril a setembro o tempo é seco. A temperatura fica entre 15o C a
30o C.
A qualidade de água dos rios e córregos da região do Rio
Doce em termos gerais apresenta problemas que estão associados a
processos erosivos das margens dos rios, das áreas mineradoras e dos
solos desprotegidos, acentuados durante a estação chuvosa; processos de
revolvimento (após chuvas) de partículas decantadas, contendo
possivelmente metais pesados resultantes da mineração do processamento
mineral, da siderurgia e das atividades de garimpo; mecanismos clássicos
de poluição, envolvendo diluição, transporte e autodepuração. Algumas
observações de pescadores e de habitantes ribeirinhos testemunharam
recentes modificações na qualidade de água do rio durante
aproximadamente os últimos 20 anos, observaram diminuição da
transparência das águas do rio Doce, aumento e turbidez durante o
período da estiagem, poluição orgânica estimada pela freqüência de
odores desagradáveis, desenvolvimento de espécies menos nobres de peixes
que são mais tolerantes à poluição, sugerindo assim uma queda
significativa na qualidade biológica do Rio.
A freqüência das
últimas enchentes sugere que a sedimentação no rio doce modificou o
regime das águas, uma clara demonstração do impacto causado pela falta
de um uso adequado das terras marginais aos rios.
A presença ou
ausência de peixes é um aspecto importante da qualidade de águas na
bacia. Em outras épocas, o rio Doce foi bem mais piscoso. O nome de um
dos rios da bacia ("rio do Peixe") sugere abundância de pescado ou
predominância de uma determinada espécie em suas águas. Alguns afluentes
são considerados com naturalmente pobres em piscosidade.
Uso da água da Bacia do Rio Doce:
Os seguintes usos podem ser definidos na bacia:
-
Abastecimento de água e sistema de esgoto, que são gerenciados por
empresas estuais ou serviços municipais. Todos os centros urbanos que
cercam a região dispõem de abastecimento de água potável.
-
Demanda industrial de água: principalmente devida à mineração e à
siderurgia. As principais empresas operam suas próprias captações de
água e estações de tratamento.
- Uso agrícola: a irrigação só é
feita em pequena escala, em locais dispersos, com uma maior importância
nos municípios de Caratinga, Conselheiro Pena, Aimorés e Colatina.
-
Produção de eletricidade: a capacidade de produção instalada é de 326
MW, gerados por 12 unidades. Estas, em sua maioria, são propriedade de
empresas de mineração. A maior usina da bacia está localizada próximo à
fronteira MG-ES (Mascarenhas).
- Navegação: o Rio Doce costumava
ser navegável entre Regência e Mascarenhas (143 Km), o que a alta
sedimentação e outras obstruções tornaram atualmente impossível. Em 1983
houve o projeto de uma aquavia, mas não foi implementado.
-
Pesca e piscicultura: a drástica redução de ictiofauna na bacia, devido
às atividades humanas, tornam essas atividades de prática mais difícil.
Foram feitos estudos quanto à piscicultura em conexão com reservatórios
de hidrelétricas. A prática da pesca ainda é comum na bacia, menos na
poluída bacia do Rio Piracicaba.
- Controle de cheias: é um
problema em muitas áreas da bacia, com altos danos para as propriedades e
os próprios indivíduos, como ocorreu diversas vezes em 1979/80. Houve
um estudo para controle de cheias que propunha construir algumas
barragens. A existência da ferrovia Vitória-Minas, ao longo do Rio Doce
até o Piracicaba, impede a construção de barragens no curso principal.
-
Meio ambiente: a floresta tropical e os rios pagaram um tributo muito
alto ao desenvolvimento econômico da região. A maioria das florestas
nativas do estado de Minas Gerais foram derrubadas (mais de 90%).